domingo, 10 de novembro de 2013

Ela vai voltar

Ela vai voltar, rapaz, e vai voltar mais bonita. É incrível como elas sempre voltam mais bonitas! Eu já vi essa história com outros amigos, você não é o único que “bebeu demais”, “fez sem querer”, “acordou arrependido, mas não dormiu na vontade” e “não é nada disso que você está pensando”. Ela não é a única que ligou a noite inteira sem ninguém atender. A juventude é uma perdição, eu sei, meu avô me contava que desde os tempos dele é assim quando as moças colocavam aqueles vestidos até o meio das canelas, sapatinhos discretos, tiara na cabeça, cabelos bem estruturados e iam para a praça mais próximo na tarde de domingo. “Flertes”, dizia ele. Com um olhar ou uma jogada de cabelo lá estão elas! Mulheres e mistérios é um caso tão, mas tão antigo, que as explicações se perderam em um século distante demais para ser comentado. Uma complexidade além dos tempos.

 Ela vai fazer uma incursão pelo mundo, conhecerá desde belas ilhas da Grécia até aquela vila desconhecida de um país mais desconhecido ainda. Você saberá pelos amigos uma coisa ou outra, acompanhará nas mil redes sociais algumas fotos que ela deixará aparecerem, porque ela é discreta, vale o registro. Ela vai ter cursado uma faculdade, largado outra, feito milhares de amigos novos e continuar com aquele jeito despreocupada de andar. Se ela namorou esse tempo todo? Você jamais saberá. 

Eles dizem por aí que quando mulher se apaixona mesmo, mas pra valer, ela guarda para si o segredo do resto do mundo. Ela deixa escapar o que quer, mas as declarações de verdade ninguém vê. Estão certas, então, as mulheres: sabem que o amor bonito é o que suporta o silêncio do olhar. Homem não entende isso, ou entende tarde demais, ou não é paciente, ou esquece. Então, boa sorte, talvez ela tenha namorado dez, talvez nenhum, nem os amigos sabem ao certo como funciona essa conta. Perceberá (porque nessa altura já repara em tudo que não reparava nela antes) que ela mudou um pouco o estilo, ficou melhor ainda, incrivelmente melhor. 

Outro mistério: não basta voltarem; elas voltam melhores. A ciência diz que isso é o tal hormônio da felicidade, que deixa a gente bonito, sabe? Mas não sei, cara, acontece unicamente com as mulheres. E você vai ver que ela fica cada vez mais linda, linda e linda… E, meu Deus, como perdeu essa mulher? Ninguém sabe. Você não deve ser o único na lista; babacas se multiplicam na vida feminina. E a verdade é que toda feliz ela voltará mesmo. Rapaz, ela vai voltar com aquele sorriso de quem é dona do mundo sem nem imaginar, pois elas nunca imaginam. 

Você, todo louco de amor, todo arrependido por anos atrás, cheio de saudade, anos de academia depois, anos de história depois, vai seguir achando que ela guarda no peito aquela mágoa de quando pegou você com a loirinha do cursinho. Pior ainda: você terá certeza absoluta de que tudo que ela quer ouvir é um pedido de desculpas para voltar aos seus fortes braços outra vez. E aí, meu rapaz, é só partir para o abraço, fazer a festa, comprar o anel e segue o baile! Mas esse é outro mistério que ninguém explica: como elas conseguem sem mais nem menos curar mágoa de homem cafajeste sem nunca ouvir um pedido de desculpas. E por isso ela voltará, mas nunca, nunquinha para você. Para outros cafajestes, certamente, mas não para a figurinha repetida. Porque esse é o último segredo que conto: elas sofrem com a rotina tediosa.
Se não fosse tão inquieta, dizem que eu poderia ser mais intelectual. Se não fosse tão calada, dizem que eu poderia ter mais amigos. Se não fosse tão despreocupada, dizem que eu poderia ter mais oportunidades. E eu poderia, confesso, ser diferente, ser melhor, ser a intelectual sem óculos ou o prodígio da família. Essas coisas acontecem, somos bons, se quisermos ser. Mas me escolhi, acima de tudo, acima dos “se você fosse”, e se escolher é sempre o caminho mais difícil. É sempre a briga mais acirrada com o mundo


terça-feira, 1 de outubro de 2013

pra dizer que o teu silêncio me agride e não me agrada ser o calendário do ano passado...

domingo, 29 de setembro de 2013

Florbela Espanca

Foto: Florbela Espanca :3

/Joordy

"Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo e de repente eu me vi assim completamente seu..."



Porque sou apaixonada pela voz e músicas da Paula Toller há muito tempo e hoje me deparei com ela cantando Peninha *-*


Porque Sonhos na voz de Paula é coisa dos anjos




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

As despedidas não estão escritas. Os casamento estão: na praia, em Las Vegas, na Igreja, para milhares, para somente dois. Os encontros estão: na praça, no ônibus, na roda de amigos, na faculdade, no serviço, do outro lado do mundo. As dificuldades e os sucessos também. Se as despedidas fossem mesmo escritas, eu duvido que partiríamos, pelo menos sozinhos. A partida, inevitável que só ela, está ali no livro de cada um de nós, mas a cena da despedida é o pavor de qualquer escritor. Porque o monólogo dos pensamentos e da dor em meio a um beijo ou um abraço é ensurdecedor. Faltam palavras na despedida; quem vai comprar a folha em branco sem entender o contexto? Na despedida está escrito: sem lágrimas. E, então, a gente se entrega ao choro, à saudade antecipada, ao medo do que as idas e vindas nos reservam. Na despedida a gente pensa que é forte e se permite ser fraco. Não há quem goste de despedidas. E é delas que até o destino treme as pernas. Só quem se despede sabe o peso de não se traduzir.

Camila Costa

sábado, 7 de setembro de 2013

o fotógrafo Steve Rosenfield elaborou um projeto fotográfico bem interessante denominado ‘What I Be Project’, em que ele fotografou pessoas exibindo suas maiores inseguranças. Olha só:
Foto1 - Eu não dou minhas emoções
Eu não sou minhas emoções
Foto2 - Eu não sou meus relacionamentos
Eu não sou meus relacionamentos
Foto3 - Eu não sou a minha depressão
Eu não sou a minha depressão
Foto4 - Eu não sou a minha ansiedade
Eu não sou a minha ansiedade
Foto5 - Eu não sou a minha compulsão
Eu não sou a minha compulsão
Foto6 - Eu não sou a minha ansiedade
Eu não sou a minha ansiedade
Foto7 - Eu não sou os meus riscos
Eu não sou os meus riscos
Como o projeto mostra, os resultados foram os mais variados possíveis, as inseguranças podem-se fazer presentes tanto na minha, quanto na sua e na vida de qualquer pessoa. Assim como a dúvida, a incerteza e questionamentos, as inseguranças cumprem um papel em que podemos nos reavaliar, colocar na balança, entender quem somos, fazer uma autoanalise para assim crescermos. Acredito, também, na máxima de que quando entendemos quem somos as coisas caminham mais naturalmente, pois assim você deposita vida, tudo torna em algo com mais sentido, você passa a brincar e entender que a vida faz 50% do percurso por si só, que essas mesmas inseguranças passam ser detalhes, você enxerga nitidamente seus anseios, desejos e medos, e com isso passar viver, ao invés de existir.
E aí, ainda acha que vale à pena ser escravo do medo ou das inseguranças? Life’s good!