se eu tivesse dois cérebros, ainda assim, não saberia porque o amor
não se sacia apenas ficando no coração e toma conta de tudo. Você toma
conta dos nomes mais bonitos mesmo que o seu seja como um lírio no
buquê. Se eu tivesse duas almas, ainda assim, não saberia pra qual lado
elas vão quando a gente morre; talvez pro mesmo lado que o seu, céu. Eu
ainda peço que os infernos sejamos nós e não os outros, porque se
podemos ser fogo, daríamos as cinzas pra quem quisesse. A saudade não
tem cor alguma quando o incêndio começa a se alastrar. Mas, menino, se eu
tivesse mil mãos, nenhuma conseguiria domar as letras pra te dizer que
amar é rebeldia.
O amor é um adolescente na explosão hormonal. Tem gente que gosta de
bombas. O Moraes amou a rosa de Hiroshima. Bem, eu adoro você.
Se cuide.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
Das pressões
“Esse menina vai brilhar na faculdade”. Escutava isso semanalmente, a cada dez alcançado, a cada pequena conquista, a cada dia. Estava cansada. O fardo era pesado, a expectativa alta e a vontade de sustentá-la diminuía a cada pensamento sincero que precisava deixar de canto para suprir o mar de vontade dos outros.
Dessa vez, não havia estudado. Há tempos não prestava atenção na aula. Nunca havia sentido essa sensação de não saber nada, de não desconfiar do conteúdo que seria cobrado. Como não sabia nada de nada, não precisava calcular quanto tempo tem para cada questão. Isso era libertador.
Nem tentou. O fracasso irremediável era doce. Ficou uns 10 minutos degustando a delícia de não ter expectativas. Dessa vez, não ficaria ansiosa pela nota. Não cobraria o professor. Nem ao menos participaria do insuportável grupo que discute as questões da prova no maldito recreio. Assinou seu nome na lista de presença e foi para casa.
— Como foi a prova, filha?
— Uma delícia, mãe, um tesão.
Largou a mãe na sala, com semblante de interrogação.
“!?”
Era a primeira vez que ignorava uma regra, que contrariava o mundo e cagava em cima de uma regra. Sorriu com o canto da boca. Subiu as escadas de alma lavada.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Das cartas
Ramona,
Não há nada de novo por aqui. te escrevo só pra lembrar que não há nada de novo por aqui. Ontem vi um homem ser preso por roubar leite em pó, e ainda não acredito realmente nisso. Homofóbicos ainda respiram e se sentem no direito de odiar deliberadamente. de-li-be-ra-da-men-te, pausadamente, pra expressar a paciência que tem me deixado longe da cadeia por não ter matado um deles.Você deve estar rindo agora, sempre diz que não sou capaz de matar uma formiga. Você sabe que é difícil pra mim, você sabe. Mas o mundo continua injusto pra caramba e minha existência, ou a sua, não mudou nada disso, e não sei se vai mudar. Você me diz pra não deixar o ceticismo me engolir, mas é difícil acreditar… vou acabar repetindo esse discurso covarde de que as coisas tem que ser assim, e não quero, você sabe que não.
Acho que sinto sua falta, acho que a cidade ficou mais cinza que o normal sem seu cabelo vermelho voando por aí, acho que você devia voltar. Talvez eu até precise de você e de sua esperança inabalável, talvez.
P.S: sinto muita falta das crianças e seus sorrisos e carinhos sem fim
Não há nada de novo por aqui. te escrevo só pra lembrar que não há nada de novo por aqui. Ontem vi um homem ser preso por roubar leite em pó, e ainda não acredito realmente nisso. Homofóbicos ainda respiram e se sentem no direito de odiar deliberadamente. de-li-be-ra-da-men-te, pausadamente, pra expressar a paciência que tem me deixado longe da cadeia por não ter matado um deles.Você deve estar rindo agora, sempre diz que não sou capaz de matar uma formiga. Você sabe que é difícil pra mim, você sabe. Mas o mundo continua injusto pra caramba e minha existência, ou a sua, não mudou nada disso, e não sei se vai mudar. Você me diz pra não deixar o ceticismo me engolir, mas é difícil acreditar… vou acabar repetindo esse discurso covarde de que as coisas tem que ser assim, e não quero, você sabe que não.
Acho que sinto sua falta, acho que a cidade ficou mais cinza que o normal sem seu cabelo vermelho voando por aí, acho que você devia voltar. Talvez eu até precise de você e de sua esperança inabalável, talvez.
P.S: sinto muita falta das crianças e seus sorrisos e carinhos sem fim
quarta-feira, 27 de março de 2013
“— Meu nome é Hazel. O Augustus Waters foi o grande amor estrela-cruzada da minha vida. Nossa história de amor foi épica, e não serei capaz de falar mais de uma frase sobre isso sem me afogar numa poça de lágrimas. O Gus sabia. O Gus sabe. Não vou falar da nossa história de amor pra vocês porque, como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser. Eu tinha a expectativa de que ele é quem estaria fazendo meu elogio fúnebre, porque não há ninguém que eu quisesse tanto que…— Comecei a chorar. — Tá, como não chorar. Como é que eu…Tá.
Respirei fundo algumas vezes e retomei a leitura.
— Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei se uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso.”
| — | A Culpa é das Estrelas |
Eu tô bem, sei lá, devo estar.
"I don't know how to feel about it"
A música fala sobre ir embora (eu só escrevo sobre isso, desculpe) e eu penso que ir é uma maneira poética de presentear alguém com a palavra, com o choro à noite, com a ferida que não cicatrizou.
Porque todo mundo uma hora vai embora. Porque você insiste em ir embora. Eu insisto em não querer que você vá. Eu insisto em voltar, quando não há mais volta. Insisto em tentar o já há muito se foi.
(a música me faz chorar… ela conta sobre mim, ela canta sobre nós)
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autodelatando,
das coisas que eu escrevo,
essas musicas que me tocam
Dos clichês
Meu sacrifício é te ver com outro mas te ver, acima de tudo, feliz. Eu aqui, na minha solidão pós-você, e você aí, na felicidade pós-eu. É tudo tão triste e irônico. É tudo tão normal e tão frustrante.
(não importa, se você está bem, eu também ficarei)
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terça-feira, 26 de março de 2013
Das Cartas
E eu notei que eu realmente gosto de você, começou comigo te emprestando um lápis, depois um guarda-chuva, um filme e um certo livro. Sabes que emprestar livros não é comigo. Morro de ciúmes dos meus livros. Porque eles carregam partes importantissímas de mim. E é interessante como não me doí dividir minhas verdades, as que estão dentro dos livros, com você. É bom saber que apesar das minhas renúncias e loucuras alguém quer participar dessa minha vida banal e desses meus poemas legaiszinhos.
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